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terça-feira, 17 de abril de 2018

O Sol na Cabeça


Titulo: O Sol na Cabeça
 Autor: Geovani Martins
Editora:Companhia das Letras
Ano: 2018

Sinopse:
Com a estreia de Geovani Martins, a literatura brasileira encontra a voz de seu novo realismo. Nos treze contos de O sol na cabeça, deparamos com a infância e a adolescência de moradores de favelas – o prazer dos banhos de mar, das brincadeiras de rua, das paqueras e dos baseados –, moduladas pela violência e pela discriminação racial.

Em O sol na cabeça, Geovani Martins narra a infância e a adolescência de garotos para quem às angústias e dificuldades inerentes à idade soma-se a violência de crescer no lado menos favorecido da “Cidade partida”, o Rio de Janeiro das primeiras décadas do século XXI.

Em “Rolézim”, uma turma de adolescentes vai à praia no verão de 2015, quando a PM fluminense, em nome do combate aos arrastões, fazia marcação cerrada aos meninos de favela que pretendessem chegar às areias da Zona Sul. Em “A história do Periquito e do Macaco”, assistimos às mudanças ocorridas na Rocinha após a instalação da Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP. Situado em 2013, quando a maioria da classe média carioca ainda via a iniciativa do secretário de segurança José Beltrame como a panaceia contra todos os males, o conto mostra que, para a população sob o controle da polícia, o segundo “P” da sigla não era exatamente

uma realidade. Em “Estação Padre Miguel”, cinco amigos se veem sob a mira dos fuzis dos traficantes locais.

Nesses e nos outros contos, chama a atenção a capacidade narrativa do escritor, pintando com cores vivas personagens e ambientes sem nunca perder o suspense e o foco na ação. Na literatura brasileira contemporânea, que tantas vezes negligencia a trama em favor de supostas experimentações formais, O sol na cabeça surge como uma mais que bem-vinda novidade.

“Geovani pula da oralidade mais rasgada para o português canônico como quem respira. Uma nova língua brasileira chega à literatura com força inédita.” — João Moreira Salles

“Fiquei chapado.” — Chico Buarque

 Resenha:

Já li muitos livros sobre o cotidiano do Rio de Janeiro, alguns dos ponto de vista da "classe alta", outros da "classe média ", vários deles com foco no morador das periferias. Porém até hoje não tinha lido um livro escrito por de fato alguém que conhece as favelas tão de perto. 

Enquanto Gilberto Gil canta que o Rio de Janeiro continua lindo Giovani Martins mostra abertamente o cotidiano de quem vive no lado feio.
Some um bom autor a um momento ímpar vivido pela população do Rio. O resultado é um fenômeno de vendas. 

Uma das características mais marcantes no livro é o amplo domínio das diversas facetas  linguísticas orais. 

Confesso que me senti bem perdida em alguns contos, talvez por ser de outro estado. Exemplo da minha dificuldade é o primeiro conto Rolezim.
Passei toda leitura do texto buscando compreender sua essência já que as palavras são completamente desconhecidas. 

A história, a identidade e a finalidade do conto em trazer a tona parte do dia a dia de um jovem são bem apresentadas.

Por outro lado alguns outros contos o leitor se conecta facilmente, Espiral traz a tona o quanto o racismo afeta uma pessoa aí longo de sua infância e adolescência. Este me fez refletir. Quantas vezes Santos medo do desconhecido sem qualquer razão ou motivos justificáveis?

Destaco por fim o conto Sextou. O melhor dos contos mostra de forma aberta os sentimentos de raiva/ ódio que a diferença social causa.
 
Questões atuais como racismo, preconceito social, drogas, suicídios, assassinatos causados pela polícia estão no centro dos contos por meio de histórias corriqueiras vividas e contadas pela população local. 

O livro todo remete a uma conversa cotidiana. Me senti em  um bate papo Onde uma pessoa conhecida  conta uma história do dia a dia.

Qual o maior mérito do livro? 

Trazer a tona a voz de quem só é ouvido pela mídia em entrevistas de velório de seus entes queridos mortos por uma "bala perdida". 

Existem milhares de vozes caladas, ansiando para  apresentarem a sociedade, mostrar a realidade sem filtros e principalmente questionar o que é ter direitos iguais e ser considerado um cidadão brasileiro.

Considerações Finais:

A edição do livro é bem trabalhada, assim como a diagramação. A capa é coerente a obra, minimalista e intensa. 

Se você é um leitor avesso a contos, convido a ler o livro de Geovani Martins, sua convicção pode se abalar ao abrir a mente para o processo construido pelo autor.

Com todas as avessas e contradições, a publicação do O Sol na Cabeça representa um marco para a literatura contemporânea brasileira.

Leu? Gostou? Comenta.




domingo, 15 de abril de 2018

Matéria Escura (Blake Crouch)





Título: Matéria Escura
Autor: Blake Crouch
Editora: Intríseca
Páginas: 352
Lançamento original: 2016

Portanto, se o mundo realmente se divide sempre que algo é observado, isso significa que há um número inimaginavelmente grande, infinito, de universos — um multiverso, onde tudo que pode acontecer vai de fato acontecer.” (CROUCH, 2017)

              
Em Matéria Escura, Blake Crouch (roteirista e escritor renomado na atualidade) demonstra uma rara habilidade em tocar num tema pra lá de complexo, tornando-o acessível e incrivelmente intrigante. Que livro, meus amigos e minhas amigas! Uma descoberta que eu vou levar pro resto da minha vida.  O instrumental da história são os estudos de vários físicos brilhantes, sem os quais seria impossível escrever uma obra tão profunda. Afinal, a matéria escura é um dos elementos mais importantes e incompreensíveis deste universo — aliás, multiverso no caso desta obra. Carl Sagan, Neil Degrasse Tyson, Michio Kaku, Rod Bryanton, Amanda Gefter, Stephen Hawking e, num nível mais pessoal, Clifford Johnson, estão entre os incríveis cientistas que deram base ao seu livro.

A obra aqui resenhada foi fruto de uma extensa pesquisa. É daquele tipo de história que eu penso: pqp, eu nunca conseguiria escrever um livro assim. Claro, resultado de uma equipe literária extensa que não se limita aos nomes, e que nomes, citados acima (o autor faz questão de citar cada pessoa no prólogo). Ainda assim, produto de muita dedicação por parte de Crouch. Aliás, uma característica notável do gênero da ficção científica é justamente a consistência que as histórias precisam. É impossível criar algo do gênero sem que se percam noites pesquisando. Não que seja exclusividade da sci-fi, mas é bastante ligado às suas criações. 

Matéria Escura é a obra mais recente de Crouch. O escritor é bastante ativo desde que lançou a sua primeira obra, em 2004, intitulada Desert Places. Desde então, foram doze livros. Notabilizou-se especialmente na trilogia Wayward Pines, que virou série na Fox.  Além disso, é interessante lembrar a sua formação em Escrita Criativa pela Universidade da Carolina no Norte. Portanto, a consistência da sua trama vem, além do “talento natural”, do estudo específico e aprofundado sobre a arte de criar histórias.

Desta vez vou fazer diferente e não vou colocar a sinopse seguida das primeiras palavras. Creio que é preciso situar, de maneira bem simplória, é claro, as ideias principais do livro: matéria escura e multiverso.

Multiverso e matéria escura

O livro se baseia na teoria (ou hipótese, talvez mais adequadamente) do multiverso, segundo a qual existem vários e vários planos de universo. Há algumas variações dessa mesma ideia. A mais conhecida no universo ficcional, nos filmes de super-heróis por exemplo, é a das ramificações de uma mesma realidade, como se as múltiplas realidades fossem galhos de uma mesma árvore - esta é chamada de IMM, Interpretação de Muitos Mundos. Outra bastante difundida é a do Universo Oscilatório, um processo de expansão contínua, provocado pelo Big Bang, que culmina no Big Crunch, a retração do universo, o que desencadeia um processo seguido expansão e retração, ou seja, de Big Bang e de Big Crunch.

A ideia do livro se aproxima da IMM: cada dilema que enfrentamos, cada situação com mais de uma possibilidade, cria universos paralelos. Se eu, Matheus, desistir de estudar em busca de algo que mudará a minha vida, existirá um Matheus2 que escolheu concluir os estudos. Nas estradas bifurcadas, nos trevos, é necessária uma escolha, contudo, de um modo ou de outro acabamos por nos dirigir aos dois caminhos, mesmo que seja em universos diferentes. É um pouco complicado, mas da pra se ter uma ideia.

Uma escolha cria uma realidade alternativa. Existem vários universos, variadas versões de um mundo, de pessoa, de universo.

A matéria escura é uma substância misteriosa que está presente em 70% do universo. Até hoje ninguém conseguiu estudá-la a fundo, mas, a partir da sua força gravitacional, é possível inferir com bastante precisão sobre a sua existência. Uma passagem da revista Mundo Estranho ilustra bem o mistério dessa substância: “É uma parte do Universo que os astrônomos sabem que existe, mas ainda não sabem exatamente o que seja. É matéria, porque se consegue medir sua existência por meio da força gravitacional que ela exerce. E é escura, porque não emite nenhuma luz. Essa segunda propriedade é justamente o que dificulta seu estudo.”

Bom, se os mais renomados cientistas não conseguem definir com precisão a sua existência, mas apenas a sua importância, não vou ser eu o primeiro a elucidar esta questão, ainda mais tentando ser o mais breve possível. Mas o instrumental para se compreender o livro já está em nossas mãos.

Sinopse

Jason é professor de física em uma universidade de Chicago. Daniela é artista. Quando jovens adultos, ambos tiveram imenso potencial para abalar os seus campos de atuação profissional. Eram brilhantes. Entretanto, surge um impasse. O casal, bastante apaixonado, mas ainda com um namoro curto, se depara com a gravidez de Daniela. Eles precisam decidir: construir uma família — que implica em sacrifícios, como jogar fora a dedicação integral à carreira — ou desistir do filho em favor da concretização dos sonhos?

Optam pela família. Quinze anos depois, se encontram seguros, relativamente modestos e com um horizonte um pouco mais restrito. Ela, uma professora de artes; ele, um professor universitário de Física. Um destino bem diferente do que projetaram quando jovens, entusiásticos, sonhadores. Mas é justamente a partir desse momento que se dá o gatilho do romance. Jason, em seu próprio carro, é raptado por um estranho encapuzado, que o trata com agressividade e, drogando-o, consegue extrair todas as informações da sua vida e... troca de universo com ele. Porque esse estranho é Jason. Um Jason de um universo em que ele escolheu a carreira, não os filhos. Um Jason com máxima potencialidade científica, contra um Jason com a máxima satisfação familiar, que o autor trata por Jason2.

Jason acorda num mundo completamente diverso. Uma Chicago quase idêntica, não fosse por ele ser um dos cientistas mais renomados do mundo. Mas ele não se reconhece como parte integrante daquilo. Precisa encontrar uma forma de manipular a maior invenção do Jason2: com a matéria escura, sua versão genial criou um portal multidimensional capaz de transportá-lo a outras versões de si mesmo e, inclusive, resolver o seu maior arrependimento: o de ter matado a si mesmo em favor de um trabalho febril que o adoeceu mais do que o satisfez. 

Jason, então, precisa ser mais esperto do que... ele mesmo, mas um “ele mesmo” que é um dos cientistas mais consolidados do mundo, que passou a vida adulta inteira trabalhando, sem trégua alguma. Só assim poderá reaver o convívio com o seu filho e com Daniela, e sobretudo afastar o perigo de uma pessoa que, apesar de tudo, é um estranho.

O que ficou do que passou: q u a l i d a d e

Numa prosa visual e minimalista, o autor surpreende o leitor a cada página. Uma das minhas impressões principais é a de que estou assistindo um filme (mas eu costumo dormir assistindo filme; bom, entendam: um filme bem legal). Sua qualidade e originalidade conferem uma abertura das portas da percepção para a consistência das obras que saem hoje. O clássico não está só no passado. O que é bom não é necessariamente aquilo que passou, que está distante e intocável como um ideal longínquo; a qualidade continua se construindo e pode estar bem perto de você. Um autor espetacular pode estar bem do seu ladinho e você, eu, nós todos não damos o devido valor. Podemos estar com olhos vendados pelas convenções literárias. Cada geração se reinventa com seu próprio estilo. Devemos ficar bem atentos às novidades que vem por aí e isso serve especialmente para mim.

Não posso esquecer o meu sentimento mais forte, apesar de toda essa bagunça científica e univérsica: a valorização das pessoas mais próximas com as quais convivo. Que “reflitão”! A mesma coisa que me acontece quando eu li As primeiras quinze vidas de Harry August, um vozerio espaço-temporal que desnorteia a minha percepção das relações humanas.

Eu não sou o mais indicado para falar em roteiros, em sua coerência ou não, se existem furos ou não. Mas posso afirmar que foi justamente a consistência roteirística o que mais me chamou a atenção. Parece quase impossível encontrar soluções para os conflitos do protagonista. São conflitos científicos, extremamente complexos subjetivamente para o protagonista, e até do ponto de vista da trama, mas Blake Crouch demonstrou ser um exímio escritor para dar um acabamento tão legal. Ganhou mais um leitor. Os próximos que vou ler são os mais consolidados, a trilogia Wayward Paynes. Não sei quando, porque não gosto de conectar muitas obras de um escritor só.  Trabalho com a possibilidade de uma vida longa, então é melhor eu não esgotar tão rápido as obras dos(as) melhores autores(as). Há especulação de que o livro Matéria Escura vai ser adaptado para uma produção audiovisual.

Aguardo com ansiedade!...

Matheus Andrade,

15/04/2018

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Quando o amor bater à sua porta - Você vai deixá-lo entrar? (Samanta Holtz)


Sinopse:

     Ele tem um passado do qual não se lembra. Ela precisa esquecer o seu.
     Malu Rocha é uma escritora de 29 anos independente, confiante e bem-sucedida. Mora sozinha em São José dos Pinhais, perto de Curitiba, onde mantém uma rotina regrada de pedalar todas as manhãs, escrever e, semanalmente, visitar o avô de 98 anos em uma casa de repouso.
     Porém sua vida toda controlada sai do eixo quando um homem bate à sua porta e se apresenta como Luiz Otávio Veronezzi, dizendo ter perdido uma reunião marcada com ela. Malu não se lembra do compromisso e sua primeira reação é dispensá-lo. Mas o belo desconhecido insiste, explicando que sofreu um acidente de carro, ficou em coma e perdeu a memória, assim como seus documentos. As únicas coisas que restaram foram um pouco de dinheiro e um papel com o nome e o endereço de Malu, o nome dele e a data da reunião. Luiz confessa que a escritora era sua última esperança para descobrir a própria identidade.
     O problema é que ela não tem a menor ideia de quem ele seja.
   Desconfiada, mas sentindo-se responsável pelo acontecido, Malu decide ajudá-lo e embarca em uma jornada para descobrir quem ele é – o que acaba trazendo à tona muitos fatos sobre si mesma, seus medos e segredos mais bem guardados, além de um passado que preferia esquecer.
     A bela narrativa e a trama que prende do começo ao fim nos convidam a acompanhar Malu e Luiz nessa busca que se transforma em uma história de amor de tirar o fôlego.

Resenha:

     Sabe aquele livro amorzinho? 
     Aquele que você abraça e não quer mais soltar? 
     Então. Esse livro é Quando o amor bater à sua porta da Samanta Holtz.
     Conheci a Samanta num evento literário que sempre rolava aqui no Rio de Janeiro, o Papos e Ideias. Porém, nesse dia eu fui mesmo por causa da autora e deste livro. Já tinha ouvido falar maravilhas sobre e não podia perder a oportunidade de conhece-la e saber um pouco mais do livro. 
    Mas... atire o primeiro livro aquele que nunca comprou um livro que queria muito ler mas sem explicações foi deixando, deixando e acabou ficando na fila de espera de leitura? Se for atirar mira direitinho na minha estante, tá? Rss
     Mas vamos aos fatos. Quando o amor bater... é um livro muito lindo, com descrições palpáveis dos deslumbrantes cenários e com uma história que realmente aquece os corações. 


"Porque o amor não foi feito para ser entendido, estudado ou explicado; o amor foi feito para ser sentido."


     Tudo começa com uma entrevista da Malu Rocha, escritora de romances, que ao final desta entrevista a repórter pergunta: O que é o amor para Malu Rocha? Malu não responde e até meio que foge da repórter. 
     Passado um tempinho, um estranho, desmemoriado, bate à porta da Malu. Sem lembranças de quem é muito menos do que deveria fazer ali. Sua única pista é um pedaço de papel em que está escrito o endereço de Malu e um horário marcado para um encontro de negócios dos dois para uma semana antes. Acontece que ele sofreu um acidente de carro onde o motorista morreu, todos seus documentos se perderam, e sua memória foi afetada. A "coincidência"? O nome dele. Luis Otávio, o mesmo do personagem do mais recente livro que a autora está terminando
     Daí em diante o desenrolar da história ocorre através de uma leitura fácil e límpida. Sem rodeios mas recheado de momentos cativantes. O meu personagem preferido foi o Sargento, avô da Malu. Mesmo apresentando sinais claros de senilidade tinha sempre bons conselhos para a neta querida.

"Não há melhor guia do que a voz dentro do seu coração. Ele é sempre o mais importante."



     Agora... sem dar spoilers você vai lendo, lendo e quando chega na metade do livro você fica...



     E depois que passa o grande clímax ...


    Como se não bastasse tudo isso vem um soco no estômago e o grito abafado (é claro!)... O QUÊ?????
     
     Definitivamente Samanta Holtz sabe como prender e surpreender um leitor. E para mim... esse se tornou o MEU LIVRO PREFERIDO! 
     Se você não leu. LEIA!
     Se você já leu... Me diz que não estou só nesse sentimento.
     Se eu recomendo o livro? É OBRIGAÇÃO de todos que amam romances ler Quando o amor bater à sua porta. Se eu pudesse não ganharia só 5 livrinhos abertos, ganharia uma biblioteca inteira.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Em outra vida, talvez? (Taylor Jenkins Reid)


Sinopse:

    Hannah está perdida. Aos 29 anos, ainda não decidiu que rumo dar à sua vida. Depois de uma decepção amorosa, ela volta para Los Angeles, sua cidade natal, pois acha que, com o apoio de Gabby, sua melhor amiga, finalmente vai conseguir colocar a vida nos trilhos. 
    Para comemorar a mudança, nada melhor do que reunir velhos amigos num bar. E lá Hannah reencontra Ethan, seu ex-namorado da adolescência. No fim da noite, tanto ele quanto Gabby lhe oferecem carona. Será que é melhor ir embora com a amiga? Ou ficar até mais tarde com Ethan e aproveitar o restante da noite? 
     Em realidades alternativas, Hannah vive as duas decisões. E, no desenrolar desses universos paralelos, sua vida segue rumos completamente diferentes. 
     Será que tudo o que vivemos está predestinado a acontecer? O quanto disso é apenas sorte? E, o mais importante: será que almas gêmeas realmente existem? 
     Hannah acredita que sim. E, nos dois mundos, ela acha que encontrou a sua.

Resenha:
"9 bilhões de escolhas que fiz no decorrer da minha vida poderiam ter me levado a um lugar diferente de onde estou nesse momento é determinar para onde estou indo. não faz sentido se concentrar em uma única escolha"
     Hanna tem 29 anos e duas certezas na vida: que nunca achou um lugar que pudesse chamar de lar e a amizade com Gabby. Pensando nisso, ela resolve largar NY e volta pro lugar onde nasceu, Los Angeles, onde é abrigada por sua amiga e o marido. Logo no primeiro dia, Gabby resolve reunir os amigos de escola para uma comemoração de boas vindas. Entre os convidados, está o ex namorado de Hanna, Ethan. Sabe aqueles amores mal resolvidos que ocupam um espaço no coração meio que eternamente? É o caso deles. O reencontro mexe com ambos, mas logo Gabby e Mark (seu marido) a chama pra ir embora. E aí? Ela vai com eles ou fica com Ethan?
     No capítulo seguinte, o leitor descobre que ela vai com eles. Na volta pra casa, eles param em frente a um museu pra tirar fotos e um carro a atropela, a deixando em coma por 3 dias e a impossibilitando de andar por um tempo.
    No capítulo seguinte, o leitor é apresentado ao que acontece quando Hannah resolve ficar com Ethan no bar e o casal resolve retomar a relação, agora adultos e mais maduros.
     Confuso? No começo, sim. A autora apresenta as duas situações de Hannah​, paralelamente, onde acompanhamos seus desdobramentos e consequências e somos testemunhas de como o destino age com cada um de nós. Não escolhemos um final para ela, o destino escolhe. E nós só acompanhamos, embasbacados, às dores, aos momentos de felicidade e, principalmente, à força da amizade de Hannah e Gabby. É um elo lindo, que dura independente da decisão dela na primeira noite em LA. 
     A moral do livro é incrível, aliás. Os momentos finais nos deixa encantados e chocados simultaneamente. Taylor soube criar duas histórias totalmente diferentes porém totalmente interligadas indiretamente, não deixando o leitor "pular" capítulos ao escolher pela Hannah. Não podemos escolher por ela. E o livro se mostra real nisso. Ao nos fazer entender que cada atitude na vida remete a uma conseqüência. Boa ou não? Depende do ponto de vista.

No controle - Estreia Serie: Perdidos no Espaço



Amanhã dia 13 de abril estreia o remake da série Perdidos no Espaço, após sessenta anos da estreia da série original.

Sinopse:


Perdidos no Espaço" conta a história da família Robinson. Ambientada 30 anos no futuro, gira em torno dos americanos que tentaram colonizar o espaço sideral, mas tiveram a missao sabotada por uma agência secreta, deixando os Robinson soltos e perdidos no espaço. Agora eles precisam sobreviver a ameaças alienígenas de toda sorte enquanto tentam manter um ambiente harmônico na família, ligeiramente disfuncional.


Produtores: Zeck Estrin
Elenco:  Toby StephensMaggie Smith,Molly Parker, Taylor Russell, Mina Sundwall, e Max Jenkins

Episódios: 10
Estreia 13/04

Trailer:

 

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Antes da tempestade (Dinah Jefferies)




Sinopse



     "Para conhecer o amor verdadeiro é preciso ser arrasado por ele.”   
     Rajputana, Índia, 1930. Desde a morte de seu marido, a jovem inglesa Eliza tem como única companhia sua câmera. Determinada a se firmar como fotógrafa profissional, ela acaba de aceitar um convite do governo britânico para se hospedar durante um ano no castelo da família real local. Sua missão: fotografar, para o acervo da Coroa inglesa, a vida no Estado principesco de Juraipore. 
     Ao conhecer Jayant, irmão mais novo do marajá, Eliza embarca na aventura mais transformadora de sua vida. Acompanhada pelo príncipe rebelde e misterioso, ela conhecerá uma terra marcada por contrastes — com paisagens de beleza incomparável, cultura rica e vibrante e, ao mesmo tempo, a mais devastadora das misérias. Enquanto Eliza desperta Jayant para a pobreza que circunda o castelo, ele mostra a ela as injustiças do domínio britânico na Índia. Juntos, descobrem uma afinidade de alma e uma paixão arrebatadora. Mas a família real fará de tudo — até o impensável — para impedir a aproximação entre o nobre indiano e a viúva inglesa.

Resenha


     Em 1930, numa Índia castigada pelo calor, onde suas mulheres são castigadas constantemente por uma sociedade machista, Eliza escolhe sair da Inglaterra para recomeçar a vida, após a morte do marido. Ela é fotógrafa e consegue uma vaga acompanhando a família real de Rajputana, uma cidade local. O contrato prevê 1 ano mostrando um lado informal da família. Quem a acompanha na jornada é o príncipe Jayant, que possui um espírito aventureiro como o dela e a mostra diariamente a vida do povo. Aos poucos, ela vai entendendo que a vida que ela deixou pra trás não era tão mais simples que a vida indiana, onde tem que esconder sua viuvez, sob pena de morrer queimada, e que o passado e o presente estão incrivelmente ligados.
     "Você acredita em destino?" é a pergunta que domina o livro e que te coloca pra pensar constantemente. Em uma trama rica em detalhes, é inevitável o leitor embarcar nessa viagem de cores, sol, paredes secretas e palácios indianos. E fotos, muitas fotos. A construção da relação entre Jay e Eliza é construída de forma sutil e arrebatadora, assim como os laços criados entre a protagonista e outros personagens. Em tempos de problemas políticos, a gente se vê envolvida em como será a vida do príncipe quando se tornar marajá, como ajudar o povo a enfrentar o problema de falta de água e como escapar do veneno de Chartar.
     Uma leitura para amantes da cultura indiana e pra quem ainda não a conhece. Indicado para todos os gostos.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Volta para casa - Harlan Coben


Titulo:  Volta para casa
Autor: Harlan Coben
Editora: Arqueiro
Ano: 2018
Páginas: 304

Sinopse:

“O sucesso de Coben se deve à sua habilidade em retratar pessoas comuns tomando atitudes extremas diante de circunstâncias fora de seu controle.” – The New York Times

“Os fãs da série vão adorar rever Myron, Win, Esperanza e outros personagens conhecidos. Este é um livro destinado ao sucesso.” – Booklist
“Em Volta para casa, Harlan Coben combina um drama familiar com uma trama ardilosa. Seus fãs não vão conseguir largar o livro.” – Publishers Weekly 

Dez anos atrás, dois meninos de 6 anos foram sequestrados enquanto brincavam na casa de um deles, uma mansão em um bairro elegante de Nova Jersey. Mas, após o pedido de resgate, as famílias nunca mais tiveram notícias dos sequestradores nem de seus filhos. 

Agora, Myron Bolitar e seu amigo Win acreditam ter localizado um deles, o adolescente Patrick, e farão de tudo para resgatá-lo e obter as respostas pelas quais todos anseiam:

O que aconteceu no dia em que foram raptados?


Onde ele esteve durante todo esse tempo?

E, o mais importante, onde está Rhys, seu amigo ainda desaparecido?

Após cinco anos sem escrever nenhum livro da série Myron Bolitar, Harlan Coben brinda os leitores com Volta para casa, um suspense explosivo, como só o seu talento pode criar. Um thriller profundamente comovente sobre amizade, família e o verdadeiro significado de lar.

Resenha:

Meu ano literário se resume a antes e depois de Volta para casa, prevejo uma ressaca literária a caminho.

O livro é o décimo primeiro da série, mas se você assim como eu não leu os anteriores não se preocupem a trama se desenvolve sozinha e as poucas menções as historias anteriores indeferem na leitura.

Vendo a capa imaginei uma historia completamente diferente, sinceramente pensei se tratar mais de um drama do que suspense/ação. 

O livro narra a trama que envolve o desaparecimento de dois meninos com seis anos a dez anos atrás, ressaltando que um deles é Rhys sobrinho de Win. Até ai ok, mas quem é Win?

A historia conta com dois personagens principais, Win e Myron Bolitar. Eles são uma espécie de Sherlok Holmes e  Watson com muito mais pegada. Enquanto Myron é mais técnico,metódico e certinho, Win é pura adrenalina, raciocínio rápido e cheio de armações, eles formam uma dupla perfeita, pois além de suas competência são super amigos de uma longa data. 

Win é daqueles caras orgulhosos, pedir ajuda é uma afronta em sua visão. Portanto quando o telefone de Myron toca e é um pedido de ajuda do amigo, ele não questiona e parte no auxilio.

" Mas isso não muda nada. Meti os pés pelas mãos. Depois de tantos anos, após tantas investigações infrutíferas, uma pista finalmente desponta no horizonte e eu a deixo escapar.
Preciso de ajuda."

Eles conseguem resgatar um dos garotos Patrick. É neste momento do livro onde o leitor pensa pronto, encontraram um dos meninos, agora ele diz onde esta o outro e final feliz.Nada disto acontece, a trama se intensifica, as ações geram mais duvidas e você já nem sabe em quem e no que acreditar.

"- Não existe um único dia que eu não pense no que aconteceu. Você acha mesmo que é possivel esquecer uma coisa dessas? "


O livro te tira dos eixos em diversos aspectos. Desespero ao ver uma mãe em busca de um filho desaparecido a mais de dez anos,  compreensão e raiva ao ver a outra mãe que tenta proteger seu filho encontrado com unhas e dentes e  indignação com a polícia perdida na história.

Mesmo tratando de questões complexas e sensiveis a narrativa não perde o foco ou cansa, ao contrario é tudo tão intenso que quando você menos imagina acontece uma revira volta, te pega de suspresa e te faz voltar algumas páginas e reler para se encontrar novamente.

O melhor suspense é sem duvidas auele em que te faz refletir, perguntar-se os porques e quais seriam suas reações a determinadas circunstanceas, o texto de Harlan Coben provoca o leitor a tais questionamentos do início ao fim. Não é a toa que é considerado um dos melhores autores do estilo no mundo.

Considerações Finais:

Os personagens são perfeitamente criados, se encaixam de forma primorosa. O livro é bem amarrado sem deixar pontas soltas ou cenas mal compreendidas. 
A narrativa flui naturalmente e mesmo não sendo um livro curto, a intensidade das ações o torna instigante e rapido. Edição, gramática e diagramação impecaveis. 
Para finalizar o trabalho brilhante destaco a capa, apos um drama da editora para escolher, finalmente ela ouviu os leitores, sem duvida uma das mais bonitas da série.

Se você assim como eu ficar fascinada pelo autor e a série Myron Bolitar, irá querer devorar os livros anteriores, então aqui vai a sequencia:
1. Quebra de Confiança
2. Jogada mortal 
3. Sem deixar rastros
4. O preço da vitória
5. Um passo em falso
6. Detalhe Final
7. O medo mais profundo
8. A promessa 
9. Quando ela se foi 
10. Alta tensão 

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